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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Pedal Lagamar - Superagui, Ilha do Cardoso, Ilha Comprida

"O lagamar compreende as cidades de Iguape, Ilha Comprida, Pariquera-Açu e Cananéia, no Estado de São Paulo, até chegar à cidade de Guaraqueçaba, no Paraná. São lagunas à beira-mar com vegetação de restingas e Mata Atlântica, quase que intocada e uma deslumbrante fauna e flora, além de incursões por sítios arqueológicos onde estão os sambaquis deixados por populações de mais de 5 mil anos"
Paranaguá - Superagui - 22km

   A aventura começou quando entrei no barco que faz a travessia entre Paranaguá e Superagui. Foram aproximadamente duas horas e meia curtindo as belezas da Baía de Paranaguá. Ao chegar na vila de Superagui encontrei dois cicloturistas de São Paulo: Maíra e Mathias. Eles estavam pedalando desde Curitiba e iriam seguir praticamente o mesmo trajeto que eu. Conversamos um pouco e nos despedimos, pois meu objetivo era dormir perto da Barra do Ararapira, enquanto eles iriam pernoitar na vila mesmo.
 
  Maíra e Mathias
   Ao começar o pedal senti uma grande felicidade tomar conta de mim. Talvez por estar realizando um pedal tão esperado ou por frescura mesmo...hahaha. No começo podia avistar algumas casas e alguns moradores, mas conforme fui avançando pela areia, a praia se tornou cada vez mais deserta, aumentando a minha sensação de liberdade. Foram 22km até encontrar o local que o dono do barco me indicou quando estávamos chegando na vila. De frente para o mar existem algumas árvores e seguindo uma pequena trilha pode-se chegar à casa da dona Dorotéia, a qual me deu permissão para acampar embaixo das árvores.
 
 

   Terminei de montar acampamento quando a luz natural já não existia mais e parti pra melhor parte do dia: Um banho de mar peladão na escuridão. Que coisa boa! Depois fiquei quase uma hora sentado na areia, olhando para o mar, mas com o pensamento longe. Esse foi um daqueles momentos mágicos que toda aventura tem. Assim finalizei meu dia.

Superagui - Ilha Comprida  - 52 km

   Acordar de madrugada e ver o nascer do sol numa praia deserta não tem preço.
 
 
 
   Saí pedalando bem cedo para pegar a maré enchendo na Barra do Ararapira. E consegui! Pedalei por alguns minutos até chegar na barra e conforme meu amigo Romulo tinha avisado, tive que atravessar nadando até o outro lado para chamar um pescador. Ainda tive sorte, pois logo que terminei de nadar já avistei o seu Jurandir. Ele me levou novamente na margem onde eu havia deixado a bike, ajudou a carregá-la no barco e me deixou na Ilha do Cardoso/SP.
 
 
 

   O estado mudou , mas a paisagem não. Pedalei 13km pela praia deserta até encontrar uma entrada(trilha) que me levasse para a vila de Marujá. A trilha é muito bonita e a vila me lembrou a Ilha do Mel, no Paraná. Conversei com alguns moradores e descobri que atravessar de barco para Cananéia (canal do Varadouro) não seria uma tarefa muito barata, pois o preço para uma pessoa era de R$ 200,00. Fiquei espantado quando ouvi isso e decidi esperar pra ver se mais pessoas fariam o mesmo trajeto. Enquanto esperava pude conhecer um pouco mais da vila e seus moradores. Um lugar realmente fascinante!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
   Conversa vai, conversa vem, eis que um grupo de turistas chega de barco para almoçar no Marujá. Expliquei para eles a situação e obtive o consentimento para voltar na mesma embarcação, mas tudo dependeria do barqueiro. Então fui prosear com o barqueiro e apesar do preço ainda ter ficado caro (R$ 60,00),  fechei negócio. Jorge era o nome do piloto do barco e enquanto os turistas visitavam a vila, nós conversamos bastante. Fiz diversas perguntas sobre a vida naquela região e ele por sua vez me encheu de questionamentos sobre as pedaladas. Os turistas voltaram, o almoço foi saboreado e então partimos.
   Aqui começou outro momento mágico, o segundo dessa aventura. Enquanto o barco agitava as águas calmas do canal, nós apreciávamos as belissimas montanhas, mangues e animais da Ilha do Cardoso. Tudo isso com o vento batendo no rosto. Eita coisa boa!
 
 
 
 
   Ao chegarmos em Cananéia eu logo peguei a balsa(grátis) para a Ilha Comprida e depois enfrentei 3 malditos quilômetros de muita areia fofa, onde era impossível pedalar. Empurrei a bike até chegar na praia e lá pedalei novamente ao lado do mar. A praia estava deserta, mas de tempos em tempos alguns carros passavam em alta velocidade. Isso mesmo, os carros trafegavam pela areia da praia, pois a "rua" era feita de areia fofa, aquela que enfrentei durante 3 km.
 Cananéia
   Pedalei, pedalei e pedalei, mas não consegui avançar muito, pois o vento contra estava bem forte. Passei pela vila de Pedrinhas e quando estava anoitecendo parei para acampar na casa do seu Lourival, um morador local. Uma pequena conversa, um banho de mar e cama.
 Marcas dos pneus dos carros


Ilha Comprida - BR 116 - 200 km

   Infelizmente começou a chover durante a noite, mas quando acordei estava apenas garoando. Me despedi do seu Lourival e segui meu caminho. O vento, diferentemente do dia anterior, estava a favor e pude chegar rapidamente na cidade que tem o mesmo nome da ilha. A garoa aumentou, mas continuei minha pedalada até Iguape, onde fiz uma parada para descanso. Em Iguape terminei o trajeto lagamar, agora restava voltar para casa.
 Chuva e câmera molhada
   De Iguape pedalei até Pariquera-Açu, depois Jacupiranga e Cajati. Sendo as duas últimas já na BR-116. Almocei muito bem em Cajati, pois na parte da tarde eu iria enfrentar a serra do azeite. Ao seguir para a serra a chuva ficou mais intensa e só pude tirar algumas fotos. São 25 km, sendo os primeiros cinco bem tranquilos, seguidos de outros cinco com pouca inclinação e quinze de subida forte. Terminada a subida pude desfrutar de algumas boas descidas, mas continuei enfrentando aclives fortes. Ao atravessar a divisa dos estados de SP e PR a chuva parou. Segui o máximo que pude antes do anoitecer, parando às 18:30 min para acampar. Meu acampamento foi ao lado da estrada mesmo, embaixo de algumas árvores.
 Novo "efeito" da minha câmera
 
 
 Serra do Azeite
  Serra do Azeite
  Serra do Azeite
  Serra do Azeite
BR 116 - Paranaguá - 120 km

   Dormi bem, mesmo com o barulho dos caminhões passando pela estrada. Acordei cedo e comecei a pedalar às 6h. Enfrentei subidas e mais subidas, todas ou a grande maioria com uma forte inclinação. Cheguei exausto na estrada da Graciosa. Ali descansei um pouco e tomei muita água, pois ao contrário do dia anterior, este estava sendo de muito sol.

   Quando comecei a descida da Graciosa me senti aliviado. Chega de aclives! Fui filmando a ladeira até que de repente encontro a Melissa, uma ciclista do grupo Amigos do Pedal. Conversamos, tiramos fotos e nos despedimos. No trecho de paralelepípedos o meu bagageiro soltou e tive que fazer uma parada urgente. Descobri que um parafuso havia caído e solucionei o problema rapidamente com uma simples reposição. Ao terminar a descida passei pela cidade de Morretes e fui me "arrastando" para casa, pois o sol estava castigando.



Eu e Mellisa
 
 
 
 
 
 
  Assim completei mais uma aventura. Somando mais 394 km no odômetro.




3 comentários:

  1. Aramis ...Lindas paisagens....me fizeram divagar. Através dos seus relatos e fotos viajei junto com você. Que fotos!!!! Muito bem tiradas.Deveria fazer a impresão e montar um albúm, acho que ainda é uma maneira de eternizar.
    Lindo Blog...Parabéns. Abraços
    Ane Rederde

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  2. Muito bom já fiz de Embu Gauçu até Iguape e agora pretendo fazer ilha comprida, ilha do cardoso e cananéia

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  3. Opa, show de trajeto. Se quiser esticar até Paranaguá é só avisar. Terá uma grande pizza te esperando....hehehe

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