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terça-feira, 7 de outubro de 2014

Pedal na Bolívia - Planejamento


   Após a realização do sonho de pedalar o litoral brasileiro, voltei minhas atenções para o lado esquerdo do nosso continente e diversas ideias surgiram: Chile, Bolívia, Peru, Equador, etc. Confesso que fiquei um bom tempo pensando qual deveria ser o roteiro da próxima aventura. Li livros e blogs, visualizei vídeos e fotos e conversei com alguns amigos até decidir que iria pedalar na Bolívia. Três fatores foram extremamente importantes na escolha: A conversa com o amigo Antonio Cogo na qual decidimos pedalar no Peru em 2016, a viagem do grupo Cicloturita pela Bolívia e o blog cicloturismoselvagem do camarada Nelson Neto. 
   Com o destino escolhido comecei a preparar o trajeto e resolvi fazer o mesmo percurso do grupo Cicloturita. Depois fiz o convite nas redes sociais e tive uma resposta positiva do amigo Sergio Mayer. Por fim me dediquei ao planejamento minucioso de cada trecho da aventura e agora compartilho aqui esse planejamento e deixo o convite para qualquer pessoa que queria se aventurar de bicicleta pela Bolívia.


Abaixo seguem os vídeos da viagem e depois o relato, que no momento está sendo feito.



RELATO


Deslocamento até Calama - CHI
Calama - San Pedro de Atacama - 105 km - 03/01/15
San Pedro de Atacama - Vale da Lua - 47 km - 04/01/15
San Pedro de Atacama - Passeio no Gêiser - 13 km - 05/01/15
San Pedro de Atacama - Subida de 2400m em 42 Km - Divisa Chile/Bolívia - 55 km - 06/01/15
Divisa Chile/Bolívia - Laguna Polques - 54 km - 07/01/15
Laguna Polques - Laguna Colorada - 50 km - 08/01/15
Laguna Colorada - Árvore de Pedra - 45 km - 09/01/15
Laguna Colorada - Salar Capina - Villa Mar - 85 km - 10 e 11/01/15
Villa Mar - Villa Alota - Uyuni - 278 km - 12,13 e 14/01/15
La Paz - 15 e 16/01/15
La Paz - Estrada da Morte - 17/01/15
La Paz - Copacabana - Isla del Sol - Lago Titicaca - 18 e 19/01/15

Deslocamento até Calama-CHI - 30 e 31/12/2014 e 01/01/2015

   Como já virou rotina, antes de iniciar a viagem em si, tive que ir pedalando até Curitiba, mas dessa vez não fui direto para o aeroporto e me dirigi à casa dos amigos Sergio e Beth Mayer. O motivo? Iríamos viajar juntos. Na verdade o grupo seria de 3 ciclistas: Sergio Mayer, Fábio Strapasson e eu. O Sergio, logo que avisei sobre a aventura pelo deserto boliviano, entrou em contato comigo. O Fábio entrou no grupo logo depois e juntos planejamos cada detalhe da aventura. Fizemos até uma reunião na casa do Sérgio para discutirmos os detalhes finais.
   Pois bem, o pedal até Curitiba não teve nenhuma novidade. Saí cedo, pedalei até o início da serra do mar, fiz uma pequena parada no km 35 (Bela Vista) e outra bem longa no pedágio (km 61, fim da subida). Nesse longo descanso conversei com vários ciclistas, incluindo o Arlindo Martimiano e o Alessandro Alves. Pessoal show de bola! Os dois seguiram comigo alguns quilômetros e depois nos separamos.

 Cheguei na casa do Sergio às 15h, tomei um banho, descansei um pouco e fomos de carro até o aeroporto para resolver um problema que estava dando com as reservas. Problema resolvido.
   Ainda era dia 31 de dezembro de 2014 e nosso voo estava marcado somente para a madrugada do dia 2, ou seja, ainda tínhamos uma folga.
   Passei a virada de ano e o primeiro dia do ano com a família Mayer (Sergio, Beth e seus dois filhos). Agradeço por tudo, vocês são demais!
   Na madrugada do dia 2, a Beth nos levou até o aeroporto, onde encontramos o Fábio. Fizemos os trâmites, nos despedimos do pessoal e embarcamos primeiro para Guarulhos, depois para Santiago e por fim, Calama. Aqui vale destacar que o último trecho foi totalmente em cima da cordilheira dos andes. Tivemos uma visão incrível do que no iríamos enfrentar.




Estava indo tudo bem, mas quando fomos pegar nossas bagagens, não as encontramos. Que M....! As 3 bicicletas tinham ficado em Santiago, onde deveríamos ter pego elas para passar na alfândega, mas uma funcionária da empresa aérea nos informou errado, dizendo que seria necessário pegá-las só em Calama.

   Foi o primeiro, de muitos perrengues da viagem. Felizmente bastou esperar algumas horas e pronto, lá estavam nossas princesas. A minha veio com a gancheira torta e as outras estavam OK.
Substitui a gancheira, montamos as bikes e logo após o cair da noite, fomos pedalando até o centro de Calama.






   Procuramos o mesmo hotel que eu conheci na viagem DAP (Do Atlântico ao Pacífico), mas ele estava fechado. Então rodamos um pouco pelo centro e conseguimos uma pousada por 5 mil pesos chilenos cada, aproximadamente R$ 20,00.
   Depois fomos comer algo. Como já era tarde da noite, encontramos apenas uma lanchonete na qual nos deliciamos com alguns hot-dogs.
   Voltamos para a pousada, tomamos banho e dormimos, pois o dia seguinte seria bem difícil.

Calama - San Pedro de Atacama - 105 Km - 03/01/15

   Acordamos bem cedo, às 5h da madrugada, arrumamos as coisas e fomos tomar um café numa padaria que tínhamos visto no dia anterior. Aquela manhã estava bem fria para os nossos padrões e enquanto esperávamos a abertura da padaria, começamos a sentir bastante frio. Eu particularmente estava tremendo. Quando enfim o estabelecimento abriu, compramos pães, presunto e refrigerante para um farto desayuno em um ponto de ônibus.


   Abastecidos, começamos o desafio do dia: Pedalar 100 km até San Pedro de Atacama, sendo 60 km numa subida constante.
  Logo na saída da cidade de Calama o vento contra e a inclinação fizeram a nossa média ficar próxima de 10 km/h. Paciência.
   Apesar da dificuldade, estávamos curtindo a aventura. A combinação do deserto com um imenso parte eólico rendeu inúmeros registros, entre fotos e vídeos.




















   Percorremos trinta quilômetros e fizemos a nossa primeira parada.
  Ao seguirmos, o vento contra já havia diminuído, mas a subida começou a aumentar. Foi nesse momento que infelizmente o nosso amigo Sérgio começou a sentir os efeitos da altitude: falta de ar e tontura, pois estávamos subindo de 2400 m para 3000 m.






   Bravamente ele foi pedalando km à km, mas chegou um momento que o mal estar não deixava ele avançar mais. Conversamos e o próprio Sérgio achou prudente encontrar uma carona. Conseguimos parar um caminhão da Coca e pronto.



   Ao seguirmos (Fábio e eu) ainda faltavam 16 km da subida constante. Estávamos preocupados com o Sérgio e queríamos chegar o quando antes em San Pedro, para reencontrar nosso amigo.
   A estrada parecia uma subida, em linha reta, infinita. Estávamos bem cansados quando fizemos mais uma parada onde havia uma única árvore e uma placa com os dizeres: "Dame água por favor".


   Depois enfrentamos os últimos quilômetros do aclive e descobrimos que o passo de montanha se chamava Barros Arana.






   Subimos num ritmo de tartaruga esse último trecho e fizemos uma parada maior no fim dele. Olhei no velocímetro e havíamos percorrido 65 km.
   Vencido o desafio do dia, bastava curtir o visual até San Pedro de Atacama. Pedalamos aproximadamente 5 km planos e depois começamos uma descida alucinante.
   A paisagem desértica, junto com o vulcão Licancabur, enchiam nossos olhos.






   Durante a descida olhei para o lado direito, vi o Vale da Lua ao fundo e comecei a frear para tirar uma foto. Foi então que escutei alguma coisa raspando no pneu dianteiro e logo depois tomei um baita susto quando o mesmo estourou. Puts!
   O Fábio parou imediatamente e rapidamente descobrimos o motivo do estouro: O ferrinho que segura a sapata de freio estava encostando no pneu e quando eu tive que frear em alta velocidade ele o rasgou. Que M...!
   Ainda bem que o seguro morreu de velho e nós tínhamos um pneu reserva. Trocamos e seguimos.




  Descida, foto, vídeos e de repente descobri mais uma quebra na minha bicicleta, dessa vez no bagageiro: Um parafuso quebrou e soltou um lado do bagageiro, ocasionando um problema no alforje. Saí zica! 
   Trocamos o parafuso, fizemos uma gambiarra no alforje e seguimos.
   Por fim bastou pedalar mais uns 20 km com uma paisagem de tirar o fôlego: deserto, vulcão e Vale da Lua.


 Aqui vale destacar a imagem que se tem da estrada e do Vale do Lua. É simplesmente surreal. Vê-se um descidão, a entrada do vale e uma imensa subida.

  Pois bem, percorremos esse caminho, descemos mais um pouco, enfrentamos outro aclive de aproximadamente 3 km e despencamos pela Cordilheira de Sal até San Pedro.













   Já na cidade, fomos para a praça encontrar o Sérgio e nos deparamos com um encontro de cicloturistas: Sérgio (que felizmente já estava bem melhor), Felipe Fontes do projeto Sobre Seis Rodas e a família Fonseca (João, Valerie e seus dois filhos, com menos de 14 anos) do projeto Pedalar Devagar.

   Eram 19 h e ficamos um bom tempo conversando e descansando na praça. O português João Fonseca fez questão de comprar um refrigerante que foi rapidamente ingerido por nós. Hehehe
   Todos esses cicloviajantes estavam na casa de outro brasileiro, o Guilherme. Nós também fomos autorizados a ficar em sua casa que estava à uns 4 km do centro de San Pedro.



   Já na casa, tomamos um banho e durante a janta, feita pela francesa Valerie, conhecemos a Kátia (namorada do Guilherme) e proseamos um pouco mais com o nosso anfitrião, também cicloturista.
   Fomos dormir bem tarde, pois o papo rendeu.

San Pedro de Atacama - Vale da Lua - 47 Km - 04/01/15

   Como havíamos (Sérgio, Fábio e eu) planejado, esse dia seria de passeios pela região próxima a San Pedro de Atacama e na noite anterior tínhamos decidido o roteiro: Pedalar pelo Vale da Lua.
   
   “O Vale da Lua é uma extensão de terra e de areia avermelhada com formações rochosas singulares. Parte do solo é coberto de sal branco, o que dá a impressão de se estar em um ambiente não-terráqueo.” Guia – O Viajante

   O Guilherme, nosso anfitrião, nos indicou um caminho alternativo para entrar no vale sem pagar. (Não façam isso crianças, pois é feio.....rs) 
   A ideia era subir a Cordilheira de Sal até a pedra do coiote, depois descer um desfiladeiro e pronto. Simples né? Só que não....hehehe. Ok, ok, a primeira parte foi tranquila, isto é, subimos a majestosa Cordilheira de Sal (caminho que descemos no dia anterior) e chegamos na pedra, mas quem disse que tivemos coragem de descer.













   Ficamos um bom tempo tirando fotos e filmando toda a fascinante região. Um a um, tiramos a famosa foto em cima da pedra (mirando o horizonte), depois voltamos para o asfalto e por fim viramos para a esquerda na estrada que seria a saída do vale. Nela havia um aviso que deveríamos entrar por San Pedro, não por ali. Foda-se!






















   Percorremos todo o trajeto do vale sem sermos incomodados e não avistamos nenhum guarda, talvez por causa do horário, que estava próximo do meio-dia.
   Não lembro quantos quilômetros foram, mas passamos por todos os atrativos: 3 marias (que são apenas três formações rochosas), anfiteatro, salar, etc.


















   Nesse momento o calor já estava bem forte e antes de sair do vale fizemos uma pequena parada para descanso numa das guaritas vazias, únicas sombras do local.

   Depois percorremos mais alguns quilômetros até a saída, outros poucos até San Pedro e paramos para almoçar num restaurante barato.



   O período vespertino foi dedicado ao ócio em San Pedro, à troca de dinheiro, à compra de passagens para visitar o Geiser El Tatio e à cerveja.(risada sacana)






   Perto das 18h passamos na bicicletaria na qual o Guilherme trabalhava, pois eu precisava comprar um pneu novo(para reserva) e trocar um raio que havia quebrado na saída do Vale da Lua. Como o estabelecimento estava fechado, decidimos voltar para a casa do anfitrião. Aproximadamente na metade do caminho encontramos o Felipe Fontes indo pro centro e eu troquei de bicicleta com ele. Com isso ganhei tempo, obrigado Felipe.
   Já na casa, cada um tomou o seu banho, mas depois lembramos que não havíamos comprado comida para levar no passeio até o Geiser. Puts!

   Aproveitamos que o Felipe tinha acabado de chegar com a minha bike (com pneu e raio novos) e voltamos para o centro. Que droga, tivemos que pedalar mais 8 km. Paciência.
   O período da noite foi muito parecido com o dia anterior: janta e prosa boa de cicloturistas.

San Pedro de Atacama - Passeio no Gêiser - 13 km - 05/01/15

   Nosso último dia de "folga" em San Pedro começou exatamente às 4h da madrugada. Acordamos, comemos algo rapidamente e caminhamos no breu e no frio por alguns minutos até a rotatória onde a van para o gêiser passaria.

 Já na van, rodamos a cidade pegando passageiros e depois seguimos em direção ao maior atrativo do dia: 
   O complexo turístico Gêiser El Tatio, que fica 98 km ao norte de San Pedro de Atacama e é uma das principais atrações da região. Situado a 4300 m de altitude, o frio no local pode atingir os 20ºC negativos. É importante chegar antes das 7h da manhã, hora que os gêiseres estão ativos,
Guia do viajante independente na América do Sul

   Pois bem, depois da van percorrer a distância dita acima, por estradas de terra, com muitas pedras e precipícios, chegamos ao tão desejado local.
   O Sérgio e o Fábio que não conheciam o complexo, ficaram fascinados. Tiramos muitas fotos e fizemos vários vídeos.



























   Antes de tomarmos um belo café (incluso no pacote turístico), o Sérgio voltou a sentir os efeitos da altitude e ficou bem preocupado. Tentamos deixar as preocupações de lado e fomos tomar banho na terma. Na verdade meus amigos não tiveram coragem de entrar na terma, pois apesar da temperatura da água estar bem caliente, o problema seria o pós banho.



   Dito e feito, logo depois de sair da terma, comecei a sentir um baita frio e pra piorar, começou a nevar. Pô, sacanagem! Mesmo com bastante frio, comecei a filmar o fenômeno, pois foi a primeira vez que vi neve caindo.


   Com a neve o passeio acabou. Entramos na van e voltamos para San Pedro, fazendo algumas paradas estratégicas para fotos e alimentação (vila de Machuca).





   De volta ao coração do deserto do Atacama, pedimos para o motorista da van nos deixar no mesmo local que embarcamos e o maldito fez questão de cobrar uma taxa. FDP!
   O dia já estava na metade quando chegamos na casa do Guilherme. Resolvemos descansar um pouco e às 14h ir ao centro para agilizar os trâmites e fazer compras.
   Ao chegarmos na aduana, fomos honestos e falamos que sairíamos da cidade e do país só no dia seguinte. Praticamente fomos expulsos do local por um policial bem rude que disse: Se vão sair amanhã, voltem aqui só amanhã e ponto final. Pô, queríamos sair bem cedo no dia seguinte e por isso tentamos antecipar a burocracia. Que droga! Nem deveríamos ter falado nada sobre a data da partida.
   Indignados com o policial, começamos a procurar empresas que fazem o trajeto entre San Pedro e Uyuni, na Bolívia, pois o Sérgio decidiu não arriscar a pedalada em altitudes acima de 4000 m.
   Conversamos bastante sobre a decisão do nosso amigo e juntos concluímos que era a mais correta, pois se o corpo dele já sentiu bastante no gêiser, onde estávamos a pé, imaginem pedalando.
   Demoramos um bom tempo para encontrar uma empresa que levasse a bicicleta e quando a achamos, precisávamos de dinheiro em espécie. Então quando o Sérgio foi ao caixa eletrônico, o mesmo estava fechado. Nossa, que zica! Depois de algumas perguntas, descobrimos que existe um horário de siesta. Sacanagem.
   Nesse tempo de espera para a abertura do banco, passamos no mercado, compramos muita coisa para a nossa travessia do deserto boliviano e depois fomos tomar uma cerveja geladíssima. Show!
   Chegada a hora, o Sérgio tirou dinheiro e foi pagar a empresa. O Fábio e eu estávamos esperando numa esquina quando de repente dois brasileiros apareceram: O Renie e a Valéria, cicloturistas experientes que já tinham entrado em contato com o Sérgio. Os dois já fizeram várias pedaladas mundo afora, incluindo um passeio por Cuba. 
   Ficamos proseando um bom tempo e descobrimos que os dois também fariam a travessia do deserto boliviano por uma empresa. Ou seja, nosso amigo Sérgio teria companhia, mesmo sendo empresas diferentes. Trocamos contato, nos despedimos e voltamos para a casa do Guilherme.
   No caminho recebemos um presente da natureza: O sol batia nas montanhas, incluindo o vulcão Lincancabur, e fazia um efeito de neve. Parecia que tudo estava coberto por uma camada branca. Realmente incrível. Foi, é e sempre será uma das imagens mais bonitas da minha mente. Show!











   A noite ainda reservou uma saborosa macarronada, uma foto da galera e muita prosa boa.





San Pedro de Atacama - Subida de 2400m em 42 Km - Divisa Chile/Bolívia - 55 km - 06/01/15

   Enfim havia chego o dia tão temido da viagem: Sair de San Pedro de Atacama e subir de 2400m até 4800m, chegando na divisa do Chile com a Bolívia.

   Acordamos cedo, tomamos café e nos despedimos do pessoal. Deixo aqui um abraço enorme para todos: Família Fonseca, Felipe Fontes, Guilherme e Kátia. Obrigado por tudo.
  Pedalamos até a mesma rotatória do dia anterior e também nos despedimos do Sérgio. Na verdade foi apenas um até logo, pois como ele iria fazer o trajeto de carro, chegaria em Uyuni uns 4 dias na nossa frente e nos esperaria lá.

   Depois pedalamos até a aduana para fazer os trâmites e tivemos uma péssima notícia: A estrada estava fechada por causa de uma suposta neve no passo de montanha. Que M...! Nosso ânimo foi embora.


   Esperamos por mais de duas horas e ainda tivemos que aguentar o mesmo policial rude do dia anterior, respondendo com desdém as perguntas que fazíamos. Sou calmo, mas tive vontade de desacatá-lo.
   O Fábio e eu, éramos os primeiros da fila, que continha carros de passeio, ônibus e vans, inclusive as que estavam o Sérgio, o Renie e a Valéria.
   Finalmente às 9h e 15min liberaram a estrada. Burocracia feita, partimos.
   Os primeiros 10 km da temida subida foram "tranquilos" e nossa média ficou em aproximadamente 13 km/h. No fim dessa primeira parte fizemos uma rápida parada para descanso.




  Ao seguirmos, a inclinação aumentou e a velocidade diminuiu. O tempo passava, mas os quilômetros não. Devagar, quase parando, tínhamos a imponente imagem do vulcão Licancabur à nossa frente e ao redor a imensidão do deserto do Atacama.










   Subimos, subimos e subimos para então fazer uma parada maior para descanso e "almoço", pães com doce de leite. Durante o descanso apreciamos ainda mais o vulcão, a região e a já minúscula cidade de San Pedro, distante 22 km.









  Depois da longa pausa, continuamos a subir e tudo ficou mais difícil. Pelo planejamento a inclinação não mudaria muito, mas o que dificultou a nossa pedalada foi a altitude. Já estávamos acima dos 3500 m e como não tínhamos aclimatado direito, começamos a sentir um grande cansaço. Coloquei uma meta de fazer pequenas pausas a cada meio quilômetro, mas depois de um certo tempo eu estava parando a cada 300 m, depois 200, 100 e 50. Eu estava realmente exausto quando me rendi e comecei a empurrar.




















   O Fábio já tinha se rendido à alguns quilômetros e mesmo empurrando estava mais rápido do que eu pedalando.


  Subimos tanto que o vulcão ficou do nosso lado esquerdo, ou seja, faltava pouco para o fim, aproximadamente 5 km.
   Nesse fim da montanha já estávamos com muito frio, pois um vento gélido e gigantesco apareceu. Pelo menos ele estava a favor, ufa!
   Ao chegarmos na placa que indicava o sentido da divisa entre os países, colocamos nossos anoraks, nossas luvas de frio, touca e proteção para o rosto.
   Pensem na felicidade de ter terminado a subida, mesmo empurrando. Tiramos fotos na placa, filmamos e sem perder tempo, viramos pra esquerda na estrada de terra que nos levaria à aduana boliviana, passo Hito Cajón.





   Não foi nada fácil completar os últimos 5 km, até a aduana, com frio, fome e cansaço.


   Já no destino do dia, um policial desconfiado nos atendeu e respondeu sempre do mesmo jeito todas as perguntas que fizemos: Desçam 6 km até o próximo local onde haverá hotel, comida, banheiro, etc. Que droga, será que ele não percebeu que não estávamos afim de pedalar nem mais 100 m?
   Depois outro policial apareceu e a conversa ficou mais amistosa, pois esse segundo militar nos viu na estrada e deu crédito à nossa viagem. Foi quando resolveram dizer que ao lado da aduana havia uma casa abandonada, ou seja, um refúgio perfeito para viajantes.
   Agradecemos e fomos ao local. Era tudo que precisávamos. Tremendo de frio o Fábio fez um macarrão que para as circunstâncias estava delicioso.Depois eu "lavei" a louça.







   Por fim, cada um colocou roupas quentes, entrou no seu saco de dormir e apagou.
   Fomos descobrir no dia seguinte que a temperatura estava abaixo de zero.

Divisa Chile/Bolívia - Laguna Polques - 07/01/15 - 54 km

   Durante à noite ouvimos alguns animais brigando do lado de fora e ficamos de alerta, mas nada aconteceu. O difícil foi pegar no sono depois da barulheira que eles fizeram. Eu acabei dando mais alguns cochilos, porém logo tocou o despertador e o Fábio e eu começamos a nos agilizar.
   Com uma leve dor de cabeça, narinas trancadas com coágulo e muito frio, guardamos nossas coisas e saímos em direção ao hotel dito pelo policial no dia anterior. Foram apenas 6 km que pareciam intermináveis, pois o vento gelado batia em nossos corpos e nos fazia tremer de frio.





  No fim desse trecho chegamos na entrada do parque Eduardo Avaroa, onde ficamos mais pobres em 150 bolivianos (valor do ingresso) e tivemos que esquentar nossas mãos no cano de escape de um carro, pois estava difícil mexer os dedos, tamanho era o frio.



 

   Depois fomos para o suposto hotel, tomamos um café para esquentar e descobrimos que a temperatura era de -5º. Vale destacar que para os padrões bolivianos aquilo era um hotel, só para os bolivianos....hehehe


   Ficamos lá quase uma hora e aproveitamos para completar o nosso estoque de água numa espécie de tambor nada higiênico. É claro que usamos um comprimido purificador.
   Ao sairmos, o frio havia amenizado, mas a estrada começou a ficar cheia de areia. Paciência!
Pedalamos poucos quilômetros e chegamos à famosa Laguna Blanca, um lugar fascinante. De repente apareceu uma bifurcação na qual viramos à direita e fomos "beirando" a laguna, que estava cheia de flamingos. Agora junte à esse cenário algumas montanhas que eram refletidas pela água e um céu azul cheio de nuvens brancas. Perfeito!
























   Poucos quilômetros depois chegamos em outra laguna, a Verde. Essa muito mais famosa que a primeira, pois dependendo do horário, a luz solar bate na água, deixando-a com uma coloração verde esmeralda. Tudo isso com o já repetitivo vulcão Licancabur ao fundo. Surreal!
   Fizemos os devidos registros e seguimos.







   A saída da Laguna Verde foi complicada, pois parecia não haver uma estrada definida e sim vários caminhos deixados pelos veículos 4x4, sempre lotados de turistas. O grande problema foi que praticamente todos esses caminhos em algum momento apresentavam um trecho de pura areia, nos atrasando bastante.
   Depois de um bom tempo chegamos na estrada principal e imaginamos que ela seria melhor, pura ilusão.
  Devagar fomos avançando na estrada que alternava areia com ondulações (costelas de vaca). Horrível.
   Fizemos uma pequena parada para "almoço" e depois seguimos em direção à uma montanha colorida que estava ao norte. Nem foi preciso usar o GPS, pois de tempos em tempos aparecia um 4x4 na estrada, sinal que estávamos no caminho correto.
   Conforme tínhamos pesquisado, enfrentamos uma pequena subida de 5 km e depois descemos bastante até o Salar de Chalviri e a Laguna Polques, onde resolvemos terminar o dia, pois a horas já estavam avançadas.


 




 












 













 

 


   Em Polques há um alojamento que é utilizado pelos turistas dos veículos 4x4 e lá conseguimos café da tarde, jantar, pousada e café da manhã. Portanto se você vai se aventurar por esse caminho, fica a dica da Laguna Polques.

 




   Porém, antes nos alimentarmos, fomos tomar um banho na terma de Polques. Show!
  Assim como no gêiser El Tatio, a água estava numa temperatura muita boa e pudemos aproveitar bastante. Foi muito bom tomar um banho depois de dois dias pedalando no deserto.




   No período da noite a temperatura caiu drasticamente, mas desta vez nós já estávamos bem protegidos do frio. O único problema para dormir ainda eram a incômoda dor de cabeça e os pequenos coágulos de sangue no nariz, efeitos da altitude e do deserto. Paciência

Laguna Polques - Laguna Colorada - 08/01/15 - 50 km

   Tomamos um belo café da manhã no alojamento e saímos às 6h e 20 min. Sabíamos que o dia seria difícil, pois iríamos chegar aos 5070 metros acima do nível do mar, nossa maior altitude.
Fomos subindo e apreciando o espetáculo dos primeiros raios solares batendo na Laguna Polques repleta de flamingos.





   Em seguida subimos, subimos, subimos e quando pensávamos que era o fim, subíamos mais um pouco. A inclinação não era alta, mas a altitude nos fazia pedalar bem devagar. Pelo menos dessa vez não empurramos.












   Vinte quilômetros depois chegamos no ponto mais alto, onde fizemos uma pequena parada para descanso e tiramos fotos simbolizando o alcance dos 5000 m.


   Aliviados de ter passado a pior parte, seguimos felizes por saber que agora iríamos descer até a Laguna Colorada, porém acabamos descobrindo que a pior parte seria a descida. 
   Primeiro erramos o caminho por aproximadamente 1 km (mesmo tendo GPS...hehehe), depois viramos pra direita e começamos a enfrentar uma "estrada" cheia de pedras, areia e buracos. Nossa velocidade era a mesma ou até menor de quando estávamos subindo. E por falar em subida, ainda tivemos que percorrer um lance de montanha-russa nas condições descritas acima. Muiiiiiiito foda! 
   Aqui vale destacar que apesar da dificuldade o trajeto é muito bonito, incluindo lhamas, montanhas e o próprio deserto.









   Com um terreno tão ruim, meu bagageiro frontal quebrou, mas felizmente o Fábio conseguiu fazer uma gambiarra. Depois encontramos um cicloturista no sentido contrário e trocamos informações.
   O Inglês Paul nos avisou da distância para a laguna e dos perrengues que iríamos enfrentar, incluindo muita areia no final. Ele estava viajando até Ushuaia e sua bagagem era ínfima, algo surpreendente.

   Depois continuamos nosso calvário até sermos surpreendidos pela magnífica vista da Laguna Colorada. Podíamos ver claramente o motivo do local ser considerado um dos mais bonitos da Bolívia. De cima dá pra ter uma noção do quão grande é a laguna, com sua coloração avermelhada em algumas partes e com a imensidão branca de sal em outras.








   A partir do momento que vimos a laguna, só descemos. Tivemos que ter muita cautela, por causa da condição da estrada, que em alguns momentos parecia ser o leito de um rio.




   Ao terminarmos a descida viramos para a esquerda (parte cheia de areia que o inglês disse) e o vento forte que nos empurrava, ficou lateral. Que M....!
   Pedalávamos pelos trilhos que os veículos 4x4 deixavam, mas o vento nos empurrava pra fora desses trilhos, nos fazendo parar ou cair (no meu caso). Foram 5 km desse jeito até que viramos para a esquerda novamente e aí pegamos o vento de frente. Devagar, quase parando, conseguimos chegar ao alojamento Huayllajara.



   Na chegada um carro parou ao lado do Fábio e o pessoal começou a fazer várias perguntas, mas ele exausto não deu muita atenção....hehehe. Eu cheguei logo depois, quase sem forças. Foram 50 km que pareciam 200.
   As horas marcavam quatro da tarde quando terminamos a pedalada e nos instalamos num quartinho improvisado (na verdade acho que era um depósito).

   No alojamento conseguimos todas as refeições possíveis e decidimos que o dia seguinte seria de folga, pois a ideia seria conhecer a laguna e a árvore de pedra.

Laguna Colorada - Árvore de Pedra - 09/01/15 - 45 km

   Nossa folga durou pouco, pois no café da manhã decidimos ir de bicicleta na laguna e na árvore de pedra. Saímos às 9h, passamos pela estrada do dia anterior e seguimos em direção à Laguna Colorada.


   Confesso que dois anos antes nem sabia da existência da laguna e acompanhando a aventura do amigo Nelson Neto pela América do Sul (http://www.cicloturismoselvagem.com.br/2012/09/bolivia-ii.html) fiquei espantado com a beleza do local e decidi que um dia iria conhecê-lo.
   Ao chegarmos na laguna, descobrimos que todas as dificuldades valeram a pena. Era realmente incrível! Flamingos, lhamas, água avermelhada, imensidão de sal e montanhas ao fundo. Desfrutamos muito da região e conseguimos um acervo bem satisfatório de fotos e vídeos.











































   Depois fomos contornando a laguna pelo lado oeste e enfrentamos uma estrada horrível, cheia de pedras e buracos. O bom é que a cada momento podíamos parar e tirar mais algumas fotos da paisagem fantástica.
   Com 15 km percorridos desde o alojamento, chegamos na saída do parque Eduardo Avaroa, onde existe outro local para viajantes, incluindo um mercadinho no qual fizemos uma parada rápida para comer pães e tomar refrigerante, pois já estava na hora do almoço.





















   Mal sabíamos que o período vespertino seria um inferno....hehehe
   Quando saímos do parque começou uma subida infinita com direito a muita areia, pedras, buracos, vento contra, ondulações e tudo de ruim que poderia ter. Até havia um trator que tentava arrumar a estrada, mas se por um lado ele tirava muitas pedras do caminho, por outro ele deixava muita areia, acho que foi melhor ultrapassá-lo. Esse martírio durou 18 km, que foram percorridos em 3h.


   Chegamos exaustos na Árvore de Pedra e tentamos aproveitar o local. Aqui vale destacar que a Árvore de Pedra é um dos símbolos da Bolívia e tem esse nome devido à semelhança com uma árvore, causada pela erosão eólica na rocha. Além da árvore, existem inúmeras formações rochosas no local, cada uma com sua peculiaridade.










   Confesso que infelizmente não consegui aproveitar muito o local, pois só pensava na volta, ou seja, percorrer novamente os 18 km naquela estrada maldita. O Fábio também estava preocupado com a volta, até porque parecia que uma tempestade poderia nos atingir a qualquer momento. Conversamos e decidimos pedir carona para os inúmeros veículos 4x4 que também estavam lá. Infelizmente todos estavam lotados e não podiam nos ajudar. Um motorista disse que poderia deixar o pessoal e depois voltar para nos buscar, mas completou avisando que isso iria nos custar 200 bolivianos, um roubo, isso sim....hehehe
   Como não tivemos sucesso com as caronas, começamos a voltar pedalando e de repente a nossa sorte mudou, pois o trator que ultrapassamos estava voltando e o motorista nos autorizou a amarrar as bicicletas atrás e entrar na cabine. Perfeito!
   Esteban era o nome do nosso anjo, um senhor que mascava folha de coca, que tinha os traços típicos de boliviano e que há muitos anos trabalhava naquele emprego. Proseamos sobre muitas coisas e ele nos disse que achava as mulheres brasileiras muito bonitas (e quem não acha? rs) e que tinha um filho trabalhando em São Paulo.



   Depois de uma hora, ou míseros 6km, Esteban avisou que a velocidade iria diminuir por causa dos pedregulhos e disse que de bicicleta faríamos o trajeto bem mais rápido. Desembarcamos e agradecemos muito.
   Nesse momento a adrenalina foi lá no alto, pois os 12 km que faltavam para chegar no parque eram em declive acentuado, porém com todas as dificuldades já citadas. Pelo menos o vento agora estava empurrando.

   "Voamos" e logo chegamos na entrada do parque, onde o Fábio conversou com o policial que conseguiu outra carona até o alojamento, dessa vez num 4x4. Melhor impossível.
   Chegamos um pouco depois das 18h e só tivemos tempo de mexer do bagageiro frontal (São Fábio fez uma ótima gambiarra que durou até o fim da aventura) e jantar. 
   Nosso dia de "folga" foi intenso.

Laguna Colorada - Salar Capina - Villa Mar - 10 e 11/01/15 - 85 km

   Mudamos o roteiro e não fomos pelo lado oeste, mas pelo leste da Laguna Colorada, igual o caminho do Nelson Neto, já citado aqui várias vezes.
   Acordamos às 5h, tomamos um café reforçado, conversamos com um casal brasileiro e saímos do alojamento às 6h e 30 min.
   O início do trajeto nós já conhecíamos, pois era o mesmo que dois dias antes nos fez sofrer. Porém dessa vez foi diferente, pois não havia o terrível inimigo invisível: o vento.
   Passamos por um riacho "congelado" e fomos desviando dos trechos que continham muita areia até que chegamos na bifurcação de onde viemos e é óbvio que não voltamos para a Laguna Polques, seguimos para o outro lado.



   A estrada, com muita areia, foi contornando a Laguna Colorada durante uns 13 km e no fim dela havia um pequeno oásis no meio do deserto. Impressionante, o que um pequeno córrego pode fazer numa região tão seca, pois de repente começamos a visualizar um local verde, com água corrente, animais e umas duas ou três casas.

















   Nesse momento também apareceu uma bifurcação e nós ficamos indecisos em qual caminho pegar. Resolvemos parar em uma das casas para perguntar, mas infelizmente não havia uma alma viva no local, que parecia conter uma mercadinho dentro. O Fábio olhou no GPS, mas mesmo assim estávamos confusos e acabamos usando a intuição, indo pela esquerda.
   Quando começamos a enfrentar uma subida tive a certeza que o caminho estava correto, pois durante o planejamento li diversos relatos e no caminho para o Salar Capina havia esse aclive. Foram 7 km subindo com uma inclinação mediana, ou seja, nada tão extremo em relação ao que já tínhamos enfrentado. Ali, no meio da subida, demos adeus à Laguna Colorada, um lugar que valeu a pena.









   Depois a estrada melhorou consideravelmente e pudemos imprimir um ritmo bom em relação ao outros dias, 15 km/h.
   Ao fundo víamos carros passando e nosso objetivo era chegar na estrada por onde eles transitavam, porém a decepção foi grande quando descobrimos que essa estrada era pura areia. Lá fomos nós sofrer de novo.
   Viramos para a esquerda e logo chegamos numa pequena casa que servia de guarita do parque. Mostramos o bilhete que ganhamos na entrada, alguns dias antes, e pudemos seguir pela areia, ops, estrada....hehehe
   Nesse momento o vento estava nos ajudando, mas infelizmente também ajudava uma tempestade que vinha atrás de nós. Felizmente conseguimos chegar antes dela no acampamento dos trabalhadores do Salar Capina, onde esperamos o encarregado nos autorizar a dormir ali.













   Durante essa espera a tempestade chegou, entretanto havia mais vento do que chuva. Um vento que felizmente não nos pegou na estrada.
   Depois o encarregado Ramon chegou, nos mostrou um quarto onde podíamos ficar, avisou que poderíamos tomar café e jantar com os trabalhadores. Perfeito!
   A parte ruim é que eram apenas duas horas da tarde e não tínhamos nada pra fazer. Maldita tempestade! Maldita região inóspita que a cada dia nos mostrava quem mandava ali.
   Bem, pelo menos não sofremos com o vento nesse dia. Então dormimos, lavamos roupas, tomamos café, jantamos, tomamos um banho de chuveiro (ficamos 3 dias sem ver um chuveiro) e dormimos.

   Na manhã do dia seguinte o mesmo encarregado que foi totalmente atencioso conosco horas atrás, resolveu cobrar uma taxa pela hospitalidade. Que raiva! Nada contra pagar, mas se o objetivo é a cobrança, então avise antes. P... da vida, disfarcei e disse que só tinha 20 bolivianos na carteira (aprox. R$ 8,00). Ele fez uma cara de insatisfação, mas mesmo assim aceitou.
   Na saída enfrentamos o já rotineiro frio durante os primeiros 7 km, pois em seguida começamos a subir e esquentamos o corpo. 



  


   Os funcionários do acampamento Capina nos informaram que a distância para Villa Mar era de míseros 25 km e bastava cruzar a montanha para chegar no local. Confiantes nas informações dada, enfrentamos uma subida sem fim, pois a cada top mais forte que pensávamos ser o fim, avistávamos que havia mais e mais. Haja paciência!
   A montanha durou 10 km e nela pudemos apreciar o Salar Capina e alguns picos com neve, consequência do temporal do dia anterior.















   Aliviados com o fim do aclive, começamos a descer imaginando que tudo ficaria mais fácil. Doce ilusão, pois novamente a estrada começou a apresentar muitas pedras e buracos, fazendo nossa média de velocidade ficar em 10 km/h.
   Entre sacolejos e solavancos fomos apreciando a belíssima paisagem ao nosso redor e de repente, como já havia acontecido na Laguna Colorada, apareceu um oásis. Parece algo mágico, pois basta surgir um pequeno riacho que o local se transforma. Registramos tudo e continuamos descendo.














   Infelizmente os 25 km já haviam sido completados e nada da civilização. Nessa hora o meu psicológico já estava afetado e já estava difícil apreciar o caminho.
   Quando a distância percorrida já era de 32 km, um motoqueiro brasileiro apareceu e proseou conosco. Ele ficou espantado com a nossa viagem, pois disse que de moto já estava sendo difícil. Combinamos de tomar um refrigerante em Villa Mar, mas infelizmente nós demoramos muito para percorrer os, agora já sabidos, 8 km que restavam.

   Um dos motivos da demora foi um furo que tive no pneu traseiro. Tentei encher e continuar pedalando, mas não deu. Fizemos o serviço de manutenção bem no trevo que vai pra o Gêiser Sol de la Mañana. Depois seguimos no sentido contrário do gêiser, numa estrada com menos buracos e pedras, porém com mais areia.
   Nossa chegada em Villa Mar ocorreu um pouco depois do meio-dia e como não daria tempo de ir para Villa Alota, resolvemos pegar uma pousada barata.


   Na parte da tarde passeamos pelo povoado, compramos provisões e descobrimos que o local tem uma boa estrutura se for comparado com outros da região, talvez isso se dê ao "pedágio" cobrado de todos os motoristas que ali passam. Fiquei impressionado com a estrutura do colégio, que parecia ser novinho.






   Depois o vento frio e a chuva apareceram e nós voltamos para a pousada. No fim das contas foram 40 km percorridos no dia.

Villa Mar - Villa Alota - Uyuni - 278 km - 12, 13 e 14/01/15

  Antes de sairmos de Villa Mar vi que o pneu da minha bicicleta estava murcho novamente. Felizmente no dia anterior tive tempo de remendar a câmara furada e portanto fiz a nova troca rapidamente, sem nos atrasar.
   Já havíamos percorrido 3 km quando senti falta do meu celular. Pensei, pensei e lembrei que tinha deixado ele embaixo do travesseiro. Puts, agora sim iríamos nos atrasar. Voltei o mais rápido possível, peguei o aparelho e acelerei mais ainda para não deixar o Fábio esperando por muito tempo no frio que fazia naquela manhã. Fábio, obrigado pela paciência....hehehe



   Em seguida descobrimos que a estrada até Villa Alota seria quase plana, ou como nos disseram em Villa Mar: Ruta Pampa, ruta pampa.



   Percorremos aproximadamente 40 km nesse pampa, com algumas costelas de vaca e poucos trechos de areia, mas sempre com picos nevados ao fundo. Depois viramos pra direita no atalho mais legal que o GPS do Fábio indicou em toda a aventura. Nesse atalho, que durou poucos quilômetros, pedalamos entre dois pequenos morros, com uma pequena vegetação e bastante areia.












   Em seguida voltamos para a rota original e descemos bastante até a Ruta Nacional 701 que estava em ótimas condições. Nessa descida podíamos ver Villa Alota de um lado e formações rochosas do outro. Show!








  Já na 701, vimos a placa que indicava o local que deveríamos seguir no próximo dia e fomos em direção à Alota, que vista do alto parecia estar bem mais perto.
   Quando finalmente chegamos no destino do dia, pensamos que encontraríamos internet, restaurante, telefone, etc, porém a cidade parecia abandonada. Fomos adentrando no povoado e só víamos casas fechadas, mas de repente um menino apareceu e nos informou sobre uma pousada na rua principal. Infelizmente o estabelecimento estava fechado, assim como quase tudo na cidade. Rodamos um pouco e o Fábio avisou que tinha visto uma hospedagem. Fomos atendidos, perguntamos o preço, mas resolvemos procurar mais. Nessa procura acabamos encontrando um locutório que mesmo não havendo uma alma viva para nos atender, serviu para ligarmos pra casa. Aliviados por avisar nossos familiares que estava tudo bem conosco, voltamos para a hospedagem e descansamos.




   No meio da tarde fomos passear na vila e encontramos um estabelecimento aberto no qual compramos guloseimas que foram devoradas na única praça do povoado. Depois, como já era de praxe, veio um temporal que nos fez voltar para a hospedagem.
   Passamos o resto do dia sem ter o que fazer e decidimos que no dia seguinte iríamos mudar o roteiro, indo direito para Uyuni pela Ruta 701 (150km) ao invés de atravessar o salar, pois com os constantes temporais o deserto de sal estaria alagado, o que deixaria nossa passagem por ele bem perigosa.
   De noite ainda nos serviram uma janta com arroz, batatas fritas, ovos, café e chá de coca.

  O dia 13/01 começou bem cedo e com muito frio. Antes mesmo da claridade aparecer nós já estávamos na estrada, rumo a Uyuni.






   Como a estrada estava boa, fizemos uma média de 20 km/h durante as duas primeiras horas e nossa média horária só diminuiu por causa de alguns trechos com lama e subida que apareceram quase na chegada da vila de Culpina K. Aqui vale ressaltar que Culpina K. é uma cidade/vila com uma estrutura melhor do que Alota. Caso você viajante vá passar por esse caminho, vale a pena parar na cidade, nós apenas descansamos por alguns minutos na beira da estrada e depois seguimos, pois o objetivo do dia ainda estava longe.












   Doze mil metros depois, estávamos na entrada de San Cristobal e nesse trecho enfrentamos muita lama em algumas partes, mas o pior estava por vir, pois após San Cristobal, a estrada piorou muito. Que m...!
  Buracos, pedras, sobe e desce e desvios voltaram a fazer parte da pedalada. Pacientes e perseverantes fomos avançando sentido Vila Vila e Ramaditas. A primeira apareceu com 74 km percorridos e logo foi atravessada, já a segunda foi vista de longe quando o odômetro marcava 95 km. Entre elas, fizemos uma pequena pausa para comer algumas bolachas e recuperar um pouco de energia.









   Depois da entrada de Ramaditas enfrentamos outro desvio longo (aprox 5 km) e quando a coisa já estava ruim, resolveu piorar, pois bastou adentrarmos no desvio para o fluxo de caminhões, ônibus e carros aumentar consideravelmente. Foi bem tenso pedalar num lugar estreito, cheio de areia, pedras, buracos e caminhões/ônibus "fungando no cangote".
   Passado o desvio, finalmente a estrada melhorou e pudemos avançar mais rapidamente, fazendo a última parada 30 km antes de Uyuni. Nessa parada me senti fraco e precisei sentar no chão por causa de uma tontura. A situação foi resolvida que a ingestão de alguns amendoins que o Fábio tinha. Obrigado Fábio.
   Pois bem, faltavam míseros 30 mil metros para Uyuni, mas que foram percorridos em quase duas horas por causa do vento contra que apareceu. Com muita paciência fomos avançando. Olhávamos para a esquerda e víamos, bem ao fundo, o salar. A vontade era ir direto pra lá, mas o objetivo era outro e aos poucos fomos chegando, lentamente, na cidade de Uyuni.





   Fotografamos e filmamos a placa que indicava a entrada da cidade e fomos comer uma pizza, pois eram 16h e nossa alimentação havia sido de bolachas o dia inteiro.


  Uyuni é uma cidade bem turística e não tivemos muitos problemas em encontrar um local que servisse pizza naquele horário. Na verdade existe um calçadão na rua Arce, onde estão concentrados a maioria dos restaurantes e bares. Escolhemos o local chamado de Torre Pizza e nos saciamos, com direito à uma cerveja chamada Potosina.


   Também aproveitamos o Wi-fi para ter notícias do Sérgio e descobrimos que ele já estava em La Paz, pois a sua passagem por Uyuni coincidiu com o Rally Dakar, o que deixou os preços das pousadas bem caros, fazendo-o ir para a capital.
   Fomos para o Hostel Marith, indicado pelo Sérgio e confesso que foi a melhor estadia da viagem. Lá encontramos uma carta do nosso amigo, explicando o que foi escrito acima.


   De banho tomado, conversamos e decidimos que nosso pedal acabaria em Uyuni. O Fábio teve a ideia de ir conhecer o salar e o cemitério da trens no dia seguinte e no final da tarde, embarcar para La Paz. Perfeito!
   Compramos passagens, comemos mais uma pizza e voltamos para o hostel. Nesse dia percorremos 154 km, distância 3 vezes maior às dos dias anteriores. Milagre!!! Hehehe...

   Havia chego o grande dia de conhecer o famoso salar de Uyuni, que é o maior deserto de sal do mundo, podendo ser visto do espaço. Acordamos cedo e percorremos os 22 km até Colchani numa estrada bem ruim e com vento contra, ou seja, nada muito diferente dos outros dias. Aqui vale destacar que estão construindo uma nova estrada, em ótimas condições, mas que só na volta descobrimos que podíamos pedalar por ela. Droga!
   Em Colchani, viramos para a esquerda, pedalamos mais 5 mil metros até a entrada do salar e descobrimos que tomamos a decisão correta em não atravessá-lo, pois parecia um mar.
   Resolvemos não arriscar entrar no "mar de Uyuni" e fizemos os registros ali da borda mesmo. Fotos, filmes, tentativas de fotografia em perspectiva e a tradicional foto nu de quase todo ciclista que vai para o salar.





































  Apesar de não estarmos no meio do deserto de sal, a sensação de permanecer ali na borda foi mágica. Realmente é um local que todos deveriam conhecer. Eu provavelmente volte lá para atravessá-lo.
   Em seguida voltamos para a cidade de Uyuni pela estrada nova que estava em construção e fomos direto para o cemitério de trens onde fizemos os devidos registros fotográficos.
































   De volta ao hostel, arrumamos as coisas e saímos as 12h para não pagar outra diária...hehehe
   O período vespertino foi dedicado ao ócio novamente, mas dessa vez estávamos numa cidade turística, o que fez o tempo passar mais rápido. Comemos pizza, tomamos sorvete e depois ficamos apreciando o movimento na rua Arce (principal).







   Exatamente às 18h fomos para o nosso local de embarque, desmontamos as bikes e esperamos por longas duas horas no meio de uma muvuca gigantesca.
   Quando o ônibus chegou, resolveram cobrar 50 bolivianos pelas bicicletas, paciência.
   Tenho que destacar que a péssima qualidade do coletivo, somada às horríveis estradas bolivianas e a constante pressa do motorista, nos ocasionou um grande desconforto. A parte boa foi a música ao vivo que tivemos no início da viagem.

La Paz - 15 e 16/01/15

   A viagem até a capital boliviana foi turbulenta. Primeiro foi o desconforto relatado acima, depois uma parada de duas horas num protesto dos produtores de Quínoa e por fim um quase capotamento do ônibus. Estávamos dormindo e de repente o veículo saiu da pista, mas o motorista conseguiu controlar a situação. Ufa, que susto! Ficamos parados por um longo tempo e achamos que um pneu havia estourado, ocasionando a saída da estrada. Depois o ônibus foi devagar e com alguns solavancos até La Paz, onde desembarcamos fora da rodoviária, talvez pelo medo de serem multados, pois não havia sido um pneu furado e sim um provável cochilo ao volante que ocasionou um enorme estrago no para-brisa e no para-choque. Caramba!   

   Desembarcamos e ficamos p... da vida com o motorista, pois pensávamos estar bem longe da rodoviária. Montamos rapidamente as bicicletas numa pequena praça (sempre cuidando de tudo, pois o local parecia inseguro) e em meio ao caos generalizado que é La Paz fomos procurar informações, descobrindo que o terminal de ônibus estava a uma quadra. Mais aliviados, colocamos a tensão de lado, entramos no terminal e descobrimos que o Hostel Pirwa, onde estava o Sérgio, ficava bem próximo.
   Empurramos as bikes por algumas quadras com trânsito intenso e bagunçado, buzinas ininterruptas, sujeita e muita, mas muita gente. Confesso que a chegada em La Paz foi um susto pra mim, pois não esperava tanto caos.
  No hostel encontramos nosso amigo Sérgio rapidamente, pois ele já estava de saída para uma escalada no monte Chacaltaya. Combinamos de conversar mais tarde e fomos tomar o café do hostel.
   Aqui vale destacar que o Pirwa é uma rede de hotéis existentes na Bolívia e no Perú, que com seus preços baratos atraem muitos mochileiros e cicloviajantes. Vale a pena conferir o site: http://www.pirwahostelscusco.com/pt/
   No hostel de La Paz existem vários quartos, tanto compartilhados, quanto individuais, um pequeno "salão" de jogos, um ótimo bar e uma "sacada" com um vista bem bonita da cidade.









   Saciados fomos passear pela cidade e começamos a "gostar" daquele caos. Passamos na frente da Igreja de São Francisco e fomos direto para a rua Illampu, onde há várias lojas de artigos esportivos, pois o Fábio gostaria de comprar algumas jaquetas/blusas. Na volta decidimos almoçar num restaurante que servia frango, macarrão e batata por um preço muito bom (aprox R$ 6,50).














   Já no hostel, aproveitamos a tarde para dormir muito, acordando depois das 17h, com o Sérgio nos esperando, pois ele havia deixado a chave do seu quarto conosco e portanto não podia entrar...hehehe
Conversamos bastante, contamos nossas aventuras e saímos para celebrar o reencontro do trio com uma pizza e algumas cervejas. 
   Comendo e bebendo decidimos que no dia seguinte iríamos esperar o Renie e a Valéria, que chegariam em La Paz da manhã, para programarmos nossa ida até a Estrada da Morte e ao Lago Titicaca e depois iríamos antecipar o nosso voo de volta.

   Acordei cedo para usar os computadores do hostel, pois mais tarde a concorrência é grande....hehehe. Enquanto estava verificando o endereço da LAN para mudarmos o voo, o Renie e a Valéria chegaram e em poucos minutos fizemos uma roda de brasileiros para o café: Renie, Valéria, Sérgio, Fábio e eu. O casal gostou da nossa ideia de fazer a estrada da morte no dia seguinte e então saímos para procurar uma agência.

   Perambulamos por algumas ruas, procuramos algumas agências e fechamos negócio com a Jump (http://www.jumpbolivia.com)/ para o dia seguinte por 400 bolivianos. Depois o casal foi fazer algumas compras pela cidade e nós pegamos um táxi até a parte sul de La Paz, onde estava a agência da LAN.
   Aqui vale destacar a loucura que é conseguir um táxi nessa capital, pois pelo motivo do trânsito frenético é muito difícil que um estacione e te atenda tranquilamente. O Sérgio teve que se aventurar no meio da rua para conseguir um que parou ali mesmo, esperando que entrássemos, sem se importar com as buzinas ecoando em sua traseira. Lei de trânsito pra quê?...hehehe
   A medida que fomos avançando para o sul fomos conhecendo outra La Paz, sem trânsito, sem lixo, com poucas pessoas nas ruas, organizada, etc. Parecia que estávamos em outro país. Impressionante!




   Pois bem, nessa nova cidade encontramos a agência da LAN e conseguimos trocar nosso voo, mas tivemos que pagar uma taxa extra. Em seguida resolvemos almoçar ali por perto e encontramos um buffet perfeito por 10 bolivianos. Depois ainda entramos num supermercado, algo que não vimos no centro, para comprar bolachas, mas o preço estava alto. Na volta pegamos outro táxi, mas dessa vez não precisamos nos aventurar no trânsito...hehehe



   Para finalizar o dia, fomos novamente na agência Jump e fechamos o pacote para o Lago Titicaca e a Isla del Sol por 350 bolivianos, um preço bom.
   A noite foi dedicada à uma pizza com o quinteto brasileiro citado acima.

La Paz - Estrada da Morte - 17/01/15

   O Camino a los Yungas ou a Carretera de la Muerte, como foi batizada nos anos 90, é uma das maiores atrações da região, na qual se desce de 4600 m até 1200 m em 64 km. A estrada ganhou esse apelido macabro por causa dos inúmeros acidentes fatais que aconteciam quando a rota era muito utilizada pelos motoristas bolivianos. Hoje, com a construção de uma estrada alternativa, o Camino a los Yungas virou um lugar bem turístico. Atualmente várias agências de La Paz levam os turistas até La Cumbre e de lá começam a descer, de bicicleta, durante 3 ou 4 horas até a região de Yolosa.

   Pois bem, a van passou no hostel às 7h e 45min e em aproximadamente uma hora fez o trajeto entre La Paz e La Cumbre, onde desembarcamos, colocamos todos os equipamentos fornecidos, ganhamos instruções dos guias (Santos e Américo), tiramos uma foto inicial e iniciamos a descida com muita neblina e um pouco de frio.
   No grupo, além de nós brasileiros, havia um peruano e um inglês, totalizando 9 cabeças com os guias. 
   Primeiro despencamos 21 km, por um asfalto perfeito para os padrões bolivianos, até o posto policial. Ali tivemos que desembolsar 25 bolivianos para que pudéssemos entrar na carretera e também recebemos o primeiro lanche incluso no pacote turístico: iogurte, banana e chocolate. Depois a van nos levou 9 km adiante, nos deixando no início da Estrada da Morte, onde já não existe asfalto.

















   Ali, no começo dessa espetacular estrada, nosso guia Santos explicou que deveríamos descer pela esquerda, pois a mão é inglesa e que para o veículos, a prioridade é de quem sobe. 
   Com todas as informações dadas começamos a descer entre montanhas, precipícios e cachoeiras. Alucinante! Estava explicado o motivo da Carretera de la Muerte estar na lista das estradas mais fantásticas do mundo.
   Durante o trajeto existem paradas estratégicas para fotos e os guias não medem esforços para registrar os melhores ângulos, sempre buscando dar a dimensão do local. Numa das melhores, todos do grupo ficam à beira do precipício para uma foto surreal.




































   Entre descidas e paradas, tiramos a roupa de frio, tomamos refrigerante e água, vimos a cidade de Coroico num morro e chegamos na região de Yolosa, onde fizemos uma pequena confraternização. Depois seguimos para um local onde pudemos tomar banho e posteriormente saborear um delicioso buffet livre.










   Todos do grupo estavam radiantes, pois realizaram o sonho de percorrer a estrada que é conhecida como a mais perigosa do mundo. 
   Na volta o motorista da van decidiu que não iria subir pela estrada nova e portanto lá fomos nós pra mais uma aventura...hehehe (veja o vídeo do início desse post)


   Em La Paz pegamos o CD com as fotos e vídeos que o guia tinha feito, compramos mantimentos para o passeio do dia seguinte e seguimos para o hostel.

La Paz - Copacabana - Isla del Sol - Lago Titicaca - 18 e 19/01/15

   O nosso penúltimo dia na Bolívia foi dedicado ao belíssimo passeio pela Isla del Sol, que fica dentro do lago Titicaca, considerado o lago navegável mais alto do mundo, com 3812 m acima do nível do mar.
   Como já era de praxe, tomamos um café no hostel e logo depois um ônibus apareceu para nos buscar. O trânsito foi um empecilho até a região metropolitana de El Alto, onde fica o aeroporto da capital. Depois bastou uma hora e pouco até chegarmos em San Pablo de Tiquina, onde deveríamos atravessar o estreito de Tiquina, que faz parte do Titicaca, sendo então a nossa primeira navegação no famoso lago.
    A travessia do estreito foi rápida e o custo já estava incluso no pacote turístico que compramos. No outro lado existe a cidade/vila de San Pedro de Tiquina, onde esperamos durante alguns minutos a chegada do nosso ônibus, pois veículos atravessam em outra balsa.
   Tiramos algumas fotos, filmamos e pudemos ter uma noção de como seria Copacabana, que é a principal cidade boliviana do entorno do Titicaca.

















   Em seguida nosso coletivo percorreu um trajeto fantástico entre várias montanhas para chegar em Copacabana, uma cidade agitada e cheia de turistas, onde desfrutamos de um delicioso almoço com macarrão e truta.







   Aqui vale destacar a eficiência do pacote turístico, pois bastou descermos do ônibus para aparecer uma pessoa que nos levou ao restaurante, onde posteriormente surgiu nosso guia da Isla del Sol. Parabéns à empresa Jump.
   Após o almoço navegamos pelo Titicaca por mais de uma hora até a famosa Isla del Sol, considerada sagrada para os incas, onde se encontravam os santuários das virgens do sol, dedicados aos Deus do astro-rei. Atualmente ela é povoada por indígenas de origem quechua e aymara.
   Já na ilha, duas chilenas conversaram com o nosso guia e entraram no grupo. Confesso que no começo o nosso trio deu atenção ao guia, mas depois focou na magia do local. Fábio, Sérgio e eu tentamos registrar cada momento daquele curto passeio (seria legal ter ficado alguns dias para conhecer melhor a ilha). Fotografamos e filmamos a beleza da ilha cercada pelo lago Titicaca, a suposta fonte da juventude e a cultura local com seus trajes típicos, seus artesanatos e suas construções peculiares.





























































































   Na volta ainda fizemos mais alguns registros do Titicaca e de Copacabana. Depois seguimos com chuva e em alto velocidade até La Paz (dessa vez tem teve acidente, ufa!).







   O derradeiro dia começou com a despedida do Renie e da Valéria, pois eles estavam indo para a ilha passar alguns dias. Aqui vai um agradecimento ao casal. Obrigado por tudo.
Em seguida arrumamos as nossas coisas, deixando-as na recepção e fomos passear um pouco até dar o horário da nossa partida.
   Andamos de ônibus, de teleférico e a pé, com destaque para o segundo meio, pois dele se pode ver La Paz de um modo totalmente diferente. Infelizmente não fomos até o mirante, mas por fotos percebemos a vista que perdemos. Droga!

















   Almoçamos na região sul, no mesmo restaurante de dias atrás, visitamos lojas de bicicletas e voltamos para o hostel, onde a van da empresa Jump nos buscou para irmos até o aeroporto.


   Por fim bastou desmontar as bikes, ajeitar e pesar cada bagagem para que não ultrapassasse 35 kg (a carga máxima permitida para viagens pela América do Sul é de 23 kg, mas com o cartão fidelidade do Sérgio ela aumentou) e esperar para voltamos ao Brasil.

   Aqui vai um agradecimento especial aos amigos Fábio e Sérgio e também às suas respectivas namoradas/esposas Carine e Beth que participaram ativamente da aventura, seja nos treinos, nos incentivos e nas dicas. Um obrigado especial aos filhos do Sérgio que também participaram de tudo isso. Valeu galera! Até uma próxima.

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